22 de novembro de 2008

Pra não dizer que não falei da Fuvest.

Obs. 1: Isto é um desabafo.
Obs. 2: Da série "Vou ter vontade de jogar isso no lixo amanhã"


Estava eu num café com o Cotô e o Boina conversando (pra variar) sobre as 90 questões que responderemos amanhã. Então entre lamentos de um e alfinetadas do outro eu comecei a pensar sobre qual é o nosso verdadeiro medo em relação a essas questões e lembrei da conversa que eu tive com o Dolly e o Nathan na casa da Paula uma vez. Naquele dia falávamos sobre o que aconteceria depois de passarmos na faculdade. Um na Sanfran, outro na Pinheiros, outro em Lorena, outra na Cásper e na Usp ao mesmo tempo.
Depois de lembrar desse acaso percebi que o meu maior medo da Fuvest está no que virá depois dela (e não estou falando do cursinho ou da faculdade). Querendo ou não, é um divisor de águas, as coisas não vão ser mais as mesmas depois desse domingo.
Então eu queria aproveitar esse surto durante minha tensão pré-Fuvest pra dizer que aconteça o que acontecer amanhã eu vou estar pensando em todos que me acompanharam esse tempo todo e que merecem ter o esforço recompensado.
Calma pra todos nós e que venha o churrasco!

Obs. 3: Eu não precisei esperar até amanhã pra ver que esse blá blá blá tá meloso demais. Mesmo assim, não deletei. Quem quiser lê xD

7 de novembro de 2008

Última carta à lua

Foram raras as vezes que pude te observar com mais carinho daqui. O brilho refletindo em volta acompanhado do frio que faz de madrugada já me fez escrever tantas como essa. Daqui pra frente, não nos veremos mais. Não por causa das pesadas nuvens que correm pelo céu de São Paulo, mas pelo pesado concreto que vai abrigar outros amantes teus. Ou não.
Apesar disso, sabe que vai continuar sendo uma das musas inspiradoras de tantos outros patéticos românticos como eu. Muitas canções, poesias e cartas ainda serão destinadas a você, mesmo se nunca mais nos vermos da minha pequena janela aqui embaixo.

*

Tentativa (frustrada) de brincar com o fato de um prédio que está sendo contruído aqui perto estar começando a tampar a minha visão da Lua. Enfim, só um devaneio.

28 de outubro de 2008

Lembrança.

Leite, fralda, carne, fósforo, Aspirina, "Você aceita débito?", um olhar, "Sá, espera sentadinha aqui enquanto a mamãe guarda as compras", uma pausa, outro olhar. Não é possível. Depois de tanto tempo, 20 anos. Não pode ser, o rosto está tão diferente. O que o tempo não faz com a gente. Mas o sorriso é o mesmo, "A senhora precisa de ajuda?", a voz também, "Ah, não, obrigada. Boa tarde!".

Sacola, sacola, sacola, sacola, bolsa, mamadeira, "Dá a mão, vamos pra casa". "Quem era, mãe?", "Eu que sei, filha?". Sim, eu que sei.

24 de outubro de 2008

"Não esqueça de levar o guarda-chuva."

Praga de professor de história, avisos da Simone, crendices populares... Uma lista imensa de coisas que a gente ouve, ignora e se arrepende. Mas tem aquelas que a gente se arrepende mais. Que não tem erro e a gente cisma em dizer que é coisa de velho, que não vale pros dias de hoje. Sim, eles mesmo, os conselhos de mãe.

Leva o agasalho. Não coloca tanto açúcar. Dá o desprezo. Vai de preto. Vai de branco. Aquele seu amigo é uma gracinha. Aquela sua amiga... Toma cuidado com ela. Na verdade, não é só mãe. Vovó, titia, inspetora do Etapa... O misto de sabedoria, experiência e sexto sentido está a nossa volta e a gente insiste em não dar atenção.

É sempre assim. Ela fala, a gente discorda, a gente bate de cara no chão e ela abre aquele sorriso: eu avisei.

Ah, esse "eu avisei" é o que desarma qualquer filho. Aí a gente chora, se arrepende, fica mal, ouve a playlist "Fossa". Ela dá mais um palpite, a gente não ouve e começa tudo de novo!

Teimosia? Talvez. Mas acho que é mais a mania que a gente tem de achar que sabe de tudo quando não sabe de nada e achar que não sabe de nada e procurar quando não há nada pra saber.

*

Obs.: Valor artístico nulo, só um desabafo. xD

14 de outubro de 2008

Subfeelings 2


Mais uma vez ele estava ali, parado, esperando o trem partir levando consigo mais um caso mal resolvido. Mais um abraço. Mais palavras que ele, de novo, se arrependerá de ter dito. Estagnado, fitando os olhos descrentes encobertos por mechas do cabelo que caia sobre a mochila agarrada com força. Era outra imagem que se desfaria ao som do sinal e piscar de luzes das portas se fechando. Novamente, o tempo passava acelerado diante de seus olhos que nada mais podiam fazer (de novo).

*

Obs. 1: Fictício.
Obs. 2: Título roubado do texto órfão do último post. Aquele é o "1", esse agora é o "2". Futura coletânea?

8 de outubro de 2008

Subfeelings 1

O recado hoje vem antes do texto. Meu computador diz que ele existe desde 14 de maio desse ano, mas eu não lembro de ter escrito isso aqui. Enfim, é legalzinho. Se você for o autor deste texto (por hora, órfão), avise. ;D



*



Ele estava lá, sentado, ouvindo Ipod quando parou pra olhar pra garota que entrara no vagão. Atrapalhada com suas mil coisas, atravessou a multidão em direção ao único lugar que conseguiu achar (por coincidência, ao lado dele). Ela levou um empurrão pelas costas e seu livro de contos caiu no colo dele, que observava seus cabelos meio presos através do reflexo do vidro. Devolvido o livro, ela se acomodou e abriu na página marcada por vários papéis de diversos assuntos, como uma agenda. Ele não tinha coragem de olhá-la nos olhos. Continuou ouvindo música. Ao virar a página, ela encontra uma foto. Lágrimas rolam pela sua face delicada e limpa. Sem saber o que fazer, lançou um breve olhar para os lagos de lágrimas em seus olhos. Deram-se as mãos e seguiram assim até a estação final.

3 de outubro de 2008

Todo isso é tão confuso...

"Tire isso da cabeça e ponha o resto no lugar"

"Isso" era parte do "resto". Mas agora "isso" mostrou ter abraços,sorrisos e o dom de me fazer bem. E é complicado porque a maior parte do "resto" agora está relacionada a "isso".Agora além d"isso", tem vários pontos de interrogação na minha cabeça. Afinal, pra piorar, eu sou parte do "resto" d"isso". O que me sobra é tentar me tornar "isso" ou "isso" voltar a ser parte do "resto".




(Mais um da série "Vou ter vontade de jogar isso no lixo amanhã" e da série "Coisas tão confusas e tão sem sentido quanto a minha cabeça")

30 de setembro de 2008

Sem véu, sem grinalda

Sertão, aquarela de Mauro Andriole

Não foi assim que ela imaginou o dia mais feliz da sua vida. De vestido simples, barato e alugado, a pequena cerimônia foi esperada sem anseios pela jovem. Caminhou para o altar de madeira e sem adornos de flores pisando no chão de terra batida sem tapete vermelho. As paredes não eram brancas: castanho pau-a-pique. O padre não falava latim, o noivo não tinha alianças. As lágrimas dos olhos da moça inundavam a seca tristeza do sertão.

26 de setembro de 2008

Camuflagem

- O reflexo da luz do computador coloria o rosto dele de uma maneira engraçada que prendia sua atenção mais que o reflexo do sol poente nas janelas da redação. Na verdade, tudo relacionado a ele era capaz de desligá-la do fardo de escrever sempre sobre a mesma coisa. Sua seriedade, o olhar terno e a incrível capacidade de fazê-la sentir como uma adolescente apaixonada - ela pensava enquanto aos poucos voltava a ouvir uma outra voz...

- É pra ontem a matéria do equinócio!!!
- Ah, claro, sim senhor...

E voltou a digitar.


(Fruto de duas aulas chatas.)

21 de setembro de 2008

Amor Passageiro

Bruno Capelas/Mel Sternberg

Todo dia de manhã
Eu escolho o meu lugar
E espero o momento
De ver você passar
Sem sequer me perceber
Com seu tênis preto All Star
Mas se um dia eu quiser
Eu nem sei como lhe chamar

E é melhor que seja dessa maneira
Assim eu não corro o risco de dar bobeira
Prefiro sonhar contigo do que acordar
E então nem te ver mais passar

Passam-se algumas horas
E em novo caminhar
Acabo me perdendo outra vez
Querendo te encontrar
E você fica com essa cara
Numa estranha troca de olhar
E eu sumo novamente
Pra você não me achar

Até no metrô
Com sua amiga a conversar
Eu não resisto à tentação
De te contemplar
Você fica com essa cara
E eu decido me afastar
Desço na próxima estação
Pra você não me encontrar

E é melhor que seja dessa maneira
Assim eu não corro o risco de dar bobeira
Prefiro sonhar contigo do que acordar
E então nem te ver mais passar

Passam-se algumas horas
E em novo caminhar
Acabo me perdendo outra vez
Querendo te encontrar
E você fica com essa cara
Numa estranha troca de olhar
E eu sumo novamente
Pra você não me achar

Você fica com essa cara
E eu decido me afastar
Desço na próxima estação
Pra você não me encontrar