8 de outubro de 2008

Subfeelings 1

O recado hoje vem antes do texto. Meu computador diz que ele existe desde 14 de maio desse ano, mas eu não lembro de ter escrito isso aqui. Enfim, é legalzinho. Se você for o autor deste texto (por hora, órfão), avise. ;D



*



Ele estava lá, sentado, ouvindo Ipod quando parou pra olhar pra garota que entrara no vagão. Atrapalhada com suas mil coisas, atravessou a multidão em direção ao único lugar que conseguiu achar (por coincidência, ao lado dele). Ela levou um empurrão pelas costas e seu livro de contos caiu no colo dele, que observava seus cabelos meio presos através do reflexo do vidro. Devolvido o livro, ela se acomodou e abriu na página marcada por vários papéis de diversos assuntos, como uma agenda. Ele não tinha coragem de olhá-la nos olhos. Continuou ouvindo música. Ao virar a página, ela encontra uma foto. Lágrimas rolam pela sua face delicada e limpa. Sem saber o que fazer, lançou um breve olhar para os lagos de lágrimas em seus olhos. Deram-se as mãos e seguiram assim até a estação final.

3 de outubro de 2008

Todo isso é tão confuso...

"Tire isso da cabeça e ponha o resto no lugar"

"Isso" era parte do "resto". Mas agora "isso" mostrou ter abraços,sorrisos e o dom de me fazer bem. E é complicado porque a maior parte do "resto" agora está relacionada a "isso".Agora além d"isso", tem vários pontos de interrogação na minha cabeça. Afinal, pra piorar, eu sou parte do "resto" d"isso". O que me sobra é tentar me tornar "isso" ou "isso" voltar a ser parte do "resto".




(Mais um da série "Vou ter vontade de jogar isso no lixo amanhã" e da série "Coisas tão confusas e tão sem sentido quanto a minha cabeça")

30 de setembro de 2008

Sem véu, sem grinalda

Sertão, aquarela de Mauro Andriole

Não foi assim que ela imaginou o dia mais feliz da sua vida. De vestido simples, barato e alugado, a pequena cerimônia foi esperada sem anseios pela jovem. Caminhou para o altar de madeira e sem adornos de flores pisando no chão de terra batida sem tapete vermelho. As paredes não eram brancas: castanho pau-a-pique. O padre não falava latim, o noivo não tinha alianças. As lágrimas dos olhos da moça inundavam a seca tristeza do sertão.

26 de setembro de 2008

Camuflagem

- O reflexo da luz do computador coloria o rosto dele de uma maneira engraçada que prendia sua atenção mais que o reflexo do sol poente nas janelas da redação. Na verdade, tudo relacionado a ele era capaz de desligá-la do fardo de escrever sempre sobre a mesma coisa. Sua seriedade, o olhar terno e a incrível capacidade de fazê-la sentir como uma adolescente apaixonada - ela pensava enquanto aos poucos voltava a ouvir uma outra voz...

- É pra ontem a matéria do equinócio!!!
- Ah, claro, sim senhor...

E voltou a digitar.


(Fruto de duas aulas chatas.)

21 de setembro de 2008

Amor Passageiro

Bruno Capelas/Mel Sternberg

Todo dia de manhã
Eu escolho o meu lugar
E espero o momento
De ver você passar
Sem sequer me perceber
Com seu tênis preto All Star
Mas se um dia eu quiser
Eu nem sei como lhe chamar

E é melhor que seja dessa maneira
Assim eu não corro o risco de dar bobeira
Prefiro sonhar contigo do que acordar
E então nem te ver mais passar

Passam-se algumas horas
E em novo caminhar
Acabo me perdendo outra vez
Querendo te encontrar
E você fica com essa cara
Numa estranha troca de olhar
E eu sumo novamente
Pra você não me achar

Até no metrô
Com sua amiga a conversar
Eu não resisto à tentação
De te contemplar
Você fica com essa cara
E eu decido me afastar
Desço na próxima estação
Pra você não me encontrar

E é melhor que seja dessa maneira
Assim eu não corro o risco de dar bobeira
Prefiro sonhar contigo do que acordar
E então nem te ver mais passar

Passam-se algumas horas
E em novo caminhar
Acabo me perdendo outra vez
Querendo te encontrar
E você fica com essa cara
Numa estranha troca de olhar
E eu sumo novamente
Pra você não me achar

Você fica com essa cara
E eu decido me afastar
Desço na próxima estação
Pra você não me encontrar

8 de setembro de 2008

Inútil.

É assim que eu estou me sentindo exatamente agora.
Estar escrevendo essa porcaria que provavelmente eu vou deletar amanhã enquanto eu penso em alguma coisa pra ir falar com você é, de fato, inútil.
Inútil porque você nunca vai ler isso. Se ler, vai achar que não é com você. Também inútil porque mesmo que eu fale com você eu sinto que você está com a cabeça em outro lugar, em outra garota, em outra música, em outra vibe.
Também é inútil eu esperar que você venha falar comigo. Das poucas vezes que isso aconteceu, durou tão pouco. Alguns minutos foram tão inúteis quanto eu e não me deixaram ao menos olhar pros seus olhos.
Inútil é também esse meu medo desgraçado de te procurar, de te abraçar com mais força, de chamar você pra conversar mesmo quando você tá cercado pelos seus amigos. Medo que me faz passar mais rápido por você, olhando pro chão, fingindo estar com pressa só pra ver se você diz um "Espera!".
Mas chega de inutilidades por hora.. Vou voltar a escutar as canções de amor não-correspondido da minha coleção enquanto fico olhando pra tela de contatos do msn te esperando.

30 de agosto de 2008

11 de agosto de 2008

Ela voltou...
Na verdade, ela sempre está por aqui, mas foram poucas as vezes que realmente se mostrou de cara: fria e verdadeira, cruelmente pura e fatalmente real.
Ela própria não é de todo ruim. É estranho pensar, mas ela é natural, está dentro de nós, nos faz o que somos a cada dia e por estar tão perto e tão longe traz os meios e os fins para sofrer.

A primeira vez que ela apareceu não fez com que eu sentisse tanto, eu era muito pequena quando a idéia de perda veio através de alguém mais distante. Já na segunda vez, as cicatrizes deixadas por ela abriram mais tarde e violentamente, porque chegou aos 45 do segundo tempo.
Depois (não lembro se veio antes ou depois da próxima visita), deixou uma saudade estranha, marcada pelos poucos momentos de uma convivência harmoniosamente terna, revivida a cada pequena coisa que possa ser relacionada com ela.
O último episódio, e o mais marcante até agora, não terminou na segunda viagem fantástica que falei, mas só a possibilidade disso ocorrer fez aflorar um dos sentimentos mais profundos que já senti.

E agora ela paira no ar, leve como o desespero e a sensação de impotência diante da sua onipresença disfarçada. Sem saber o que fazer, acho que só me resta esperar pela sua próxima aparição.

2 de agosto de 2008

A gosto? Não! Chega!

Chegou seco.
Chegou rápido.
Chegou com surto.
Chegou com cansaço.
Chegou com surpresas.
Chegou com manual.
Chegou com susto.
Chegou pesado.
Chegou tudo.



Tentativa [frustrada] de brincar de concretismo.

28 de julho de 2008

Texto encontrado na arrumação do quarto - II

Há 10 anos, direto do túnel do tempo.

*

1,2,3 quero aprender inglês
Mão fria, Geografia
Gosto de pinturas com tintas escuras
Jornal pra depois,
Feijão com arroz

(1998)