30 de agosto de 2008

11 de agosto de 2008

Ela voltou...
Na verdade, ela sempre está por aqui, mas foram poucas as vezes que realmente se mostrou de cara: fria e verdadeira, cruelmente pura e fatalmente real.
Ela própria não é de todo ruim. É estranho pensar, mas ela é natural, está dentro de nós, nos faz o que somos a cada dia e por estar tão perto e tão longe traz os meios e os fins para sofrer.

A primeira vez que ela apareceu não fez com que eu sentisse tanto, eu era muito pequena quando a idéia de perda veio através de alguém mais distante. Já na segunda vez, as cicatrizes deixadas por ela abriram mais tarde e violentamente, porque chegou aos 45 do segundo tempo.
Depois (não lembro se veio antes ou depois da próxima visita), deixou uma saudade estranha, marcada pelos poucos momentos de uma convivência harmoniosamente terna, revivida a cada pequena coisa que possa ser relacionada com ela.
O último episódio, e o mais marcante até agora, não terminou na segunda viagem fantástica que falei, mas só a possibilidade disso ocorrer fez aflorar um dos sentimentos mais profundos que já senti.

E agora ela paira no ar, leve como o desespero e a sensação de impotência diante da sua onipresença disfarçada. Sem saber o que fazer, acho que só me resta esperar pela sua próxima aparição.

2 de agosto de 2008

A gosto? Não! Chega!

Chegou seco.
Chegou rápido.
Chegou com surto.
Chegou com cansaço.
Chegou com surpresas.
Chegou com manual.
Chegou com susto.
Chegou pesado.
Chegou tudo.



Tentativa [frustrada] de brincar de concretismo.

28 de julho de 2008

Texto encontrado na arrumação do quarto - II

Há 10 anos, direto do túnel do tempo.

*

1,2,3 quero aprender inglês
Mão fria, Geografia
Gosto de pinturas com tintas escuras
Jornal pra depois,
Feijão com arroz

(1998)

19 de julho de 2008

Texto encontrado na arrumação do quarto - I

Ela nunca pensou que pudesse ser tão difícil. Depois de ter conquistado um sonho, tudo parecia fácil, menos despedir-se daqueles olhos claros que a fitaram quando ela entrara no salão. Após muita dança, comemoração e riso, finalmente estavam a sós. Uma simpels e tímida conversa resultara em nostalgia e risadas. Uma imensa saudade terminou num abraço forte e acolhedor. Ele percebeu que ela chorava e a consolou com carinhos nos lisos cabelos que caiam sobre seus ombros. Ela podia ouvir o coração dele, pulsando forte como o dela. Os olhares novamente se cruzaram. ela se perdia num sorriso discreto, ele naqueles brilhantes olhos verdes. Um único e terno beijo marcou aquele momento que parecera durar horas, encerradas por mais um abraço envolvente e por mais lágrimas.

9 de julho de 2008

Cansei de ouvir pessoas, música, reclamações. Acho que vou ficar só ouvindo o vazio do apartamento, do meu copo, da rua lá fora. Curtir minha própria solidão antes do sono me derrubar, me sentir tão invisível quanto numa multidão atravessando a rua na Paulista, fazer com que lágrimas venham a tona sem porquê. Há quem troque isso por uns copos de cerveja, desesperadas xícaras de café, frustrantes comprimidos de calmante. Tudo pra fugir de algo que eu prefiro deixar correr enquanto não tenho uma outra solução.

20 de junho de 2008

Hipocrisia?


Hoje foi um dia curisoso.

Foi só falar "Dia do Ridículo" que todos colocaram suas roupas mais coloridas e descombinadas.

Foi uma alegria, foto aqui, foto ali.
Mas amanhã, todos voltarão pra massa jeans, branca, cinza e preta. Uniformemente individualizados, tirando fotos solitárias no espelho.

Não é a toa que Chico coleciona retratos em branco e preto. Retratos tristes, perdidos na massa, que ganham cores consideradas ridículas por poucas horas.

16 de junho de 2008

Memórias concretas.

Nathan, Cotô, Mel. by Paula


Quem diria que uma varanda virada pra outras varandas guardaria lembranças tão profundas quanto o horizonte num campo aberto. O chão, a grade, as cadeiras, as paredes. Inundados de lágrimas, palavras, abraços, consolos. Ontem, junto com as memórias que emergiram, a chuva despencou sobre a varanda, lavando o concreto e o metal. Começa uma nova temporada de sensações.

9 de maio de 2008

Meu encontro com o poeta, de uma anônima muito especial.


Era uma manhã normal e gélida, como todas as outras que vivera em Lisboa até aquele momento. Caminhava acompanhada de uma senhora pelas ruelas daquela cidade, tentando encontrar a rua certa, na qual encontraria o tão esperado poeta.
Depois de alguns minutos caminhando, com a brisa gelada batendo em meu rosto, encontrei a tão esperada rua que tanto procurava. A princípio, não era nada demais, com suas casas de café e lojas se estendendo calçada adentro. Porém, caminhando em direção ao norte, passei a gostar da rua, que abrigava uma livraria e uma venda de livros usados logo na esquina.
Porém, o que realmente me interessou e me fez abrir um sorriso em meio aquelas pessoas apressadas e mal-humoradas, estava localizado logo no quiosque do número vinte da rua Garret, olhando para o horizonte e parecendo pedra.
Foi assim que encontrei Fernando Pessoa, sentei-me ao seu lado, no quiosque do café A Brasileira e, por alguns instantes, senti uma felicidade irradiar de meu peito.
Só não consegui ser a pessoa mais feliz do mundo pois havia me encontrado com uma estátua, e não com o Fernando Pessoa real. Quem sabe se eu houvesse nascido antes não teria tido este prazer?

2 de maio de 2008

Feriado, chuva, tédio, texto.


Lá fora a rua vazia chora e aqui dentro só me resta um pijama, uma barra de chocolate e um filme "água com açúcar". A chuva coloriu de cinza o céu paulistano de meio de feriado, destruindo as chances de eu sair dessa minha prisão particular. Só me resta então ficar enrolada num cobertor e ligar o DVD. Ou devo dizer, restava. Um galho de árvore resolve tombar na fiação da rua nesse exato momento e a incrível Lei de Murphy começa a brincar na garoa. Olhando pela janela, vejo o pessoal da prefeitura tirar o galho da rede, mas a essas alturas eu já não estou com vontade de assistir ao filme que espera há mais de duas semanas na minha prateleira. Ainda olhando pela janela, percebo que a neblina cobre o topo dos outros prédios e a linha do horizonte. Poucas pessoas passam pela rua, com seus inúteis guarda-chuvas ou capas. A água agora cai de lado, esboçando no vidro da minha janela uma figura impressionista. O frio me deixa com vontade de uma xícara de café, mas o pó acabou e me contento com uma caixinha de Toddynho. A energia elétrica volta a funcionar, me dando a chance de ligar o som e colocar uns CD's velhos pra tocar. Embalada ao som de Caetano, adormeço no sofá da sala.