5 de fevereiro de 2009

FE-USP 2009

O céu nunca esteve tão azul, as folhas das árvores tão verdes, o sol tão brilhante. De uma hora pra outra, nada mais era monocromático. O raro sabor da plena felicidade fazia sua boca sorrir sem motivo. Tudo parecia ao seu alcance, o topo dos prédios, as nuvens do céu. Restava a ela aproveitar, antes que tudo voltasse à rotina.



Nenhum valor artístico mesmo. Só pra constar. ;)

1 de fevereiro de 2009

Cabo-de-guerra

Ela estava lá, de novo, contemplando aquele mesmo nascer do sol carregado de nuvens cinzas entre manchas coloridas no céu. Sentada na grama, com um pouco de frio, segurando as próprias pernas junto ao corpo cansado. Outro corpo exausto sentou ao seu lado e a fitou por alguns segundos. Ela retribuiu com um sorriso de canto de boca. Ainda em torno dos joelhos, suas mãos se ocupavam uma com a outra, assim como sua boca se ocupava com devaneios que buscavam romper qualquer instante de silêncio em que se diriam mais coisas que em todas aquelas frases. Ambos sabiam disso. Agora, ignorava o braço que pousava em seus ombros e acarinhava seu braço. Insegurança, amparo, receio, vontade. Um cabo-de-guerra que ela venceu se levantando com uma desculpa esfarrapada como todas as coisas ditas pra rasgar o silêncio. Algumas palavras estilo assunto de elevador, uma ou outra gentileza, um abraço e palavras ao pé do ouvido encerraram o começo daquele novo dia.

*

Bem, já é domingo e, portanto, fim da greve. Divirtam-se.
Ah, título tosco. Aceito sugestões.

28 de janeiro de 2009

Greve

Em protesto contra a Eletropaulo que ignorou totalmente aqueles que preferem realizar suas atividades durante o período da madrugada cortando a energia do meu bairro hoje por volta de 1 hora e 30 minutos da manhã deixarei o blog sem textos novos até semana que vem. No instante em que a luz foi cortada, eu escrevia um post que estava ficando uma gracinha. Nem sei se está salvo nos rascunhos, mas agora também não quero postar. u_ú

Sem mais.

21 de janeiro de 2009

O café com leite frio da minha caneca logo vai me obrigar a levantar daqui e a parar de olhar pro telefone, afinal ela não vai andar sozinha até a mesa. Apesar de já serem 3 horas da madrugada a maldita insônia que me persegue não se convence de que você não vai me ligar nem às 3 da manhã nem nunca. Com certeza se eu estivesse falando com você agora você me falaria pra parar de jogar a culpa na coitada da insônia, mas tudo que eu ouço são os poucos carros nas ruas, o vento balançando as plantas no quintal, o computador que, ainda ligado, passa fotos aleatórias na tela: a gente na praia, na minha casa, na rua, na chuva, na fazenda e numa casinha de sapê. Na verdade, nenhuma delas só nossa, todas tem mais gente. Na verdade, algumas nem tem o seu rosto, só são de ocasiões que você também estava presente, mas é suficiente pra minha cabeça entrar numa onda de saudades de coisas que não aconteceram. Ah!
Um novo ruído, mas nada de telefone: só a caneca caindo no chão, querendo voltar sozinha pra mesa. Ok, vou levantar, a caneca vão vai chegar ao cúmulo de limpar a bagunça sozinha.

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Texto começado num dia e terminado noutro. Fruto de algumas associações livres.

13 de janeiro de 2009

Diário de Viagem

Seguinte... Eu fui viajar com a minha família e o tédio era tanto que li três livros (Muito Longe de Casa, Ishmael Beah; Clarissa, Érico Veríssimo; Budapeste, Chico Buarque) em 4 dias. Então, como não havia mais nada pra ler, resolvi escrever, como se fosse um diário. Mas não completei todos os dias porque me falhava a memória e eu consegui algumas poucas coisas pra fazer. Vou postar o do dia 11, domingo, que foi o que escrevi no próprio dia. Logo mais, fotos do visual das montanhas e, se eu tiver paciência pra digitar, os outros dias que tive tempo de escrever.

Vamos ao texto!

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Acordei duas vezes. A primeira foi às 10:30. Tateei pelos óculos, procurei meu relógio. Vi que já tinha perdido a hora pro café, então virei pro lado e dormi até 12:35. Minha mãe veio nos chamar pro almoço e organizar um pouco da bagunça acumulada por mim e pelo Sami (roupas e sapatos espalhados por todos os cantos).

Fomos para o refeitório eu, meu irmão e meu pai. Por um milagre a Dé ainda estava dormindo e minha mãe precisou ficar com ela. Almocei rápido para que minha mãe pudesse comer, passei no quarto pra escovar os dentes e apanhar Budapeste. Meu irmão já estava no quarto dos meus pais instalando o notebook e lutando com a internet móvel. Minha irmã logo acordou e foi almoçar com mamãe.

Me acomodei na cama e comecei o livro. Li até meu pai chegar e religar a TV (que no domingo tem aquela programação booooa). Logo minha mãe e a Dé voltaram e assistimos juntos o americanóide dublado "A lenda do tesouro perdido". Praticamente duas horas de inércia da família toda na frente da telinha. Terminado o filme, fui pro meu quarto retomar a leitura.

A história de José Costa me prendeu totalmente e terminei o livro antes da hora do jantar. Entre um capítulo e outro arranhava o violão, dava uma volta no quarto. Durante essas pausas, comecei a reparar na estranha coincidência das minhas leituras solitárias: tanto Ishmael quanto Amaro quanto Kósta , personagens cujos finais eram os que mais me interessavam nos livros, eram figuras muito sós. Depois desse devaneio, abri mais uma latinha de Coca que se somaria às outras duas vazias no criado-mudo.

Depois de ler a última página me arrumei e fui para o 154 encontrar meus irmãos para jantar. No refeitório nos encaminhamos para a nossa nova mesa (o hotel estava tão vazio que mudaram as mesas todas para uma única área do restaurante). Depois do jantar, espiei a programação de lazer pra ver se, por um milagre, haveria algo pra se fazer: nada, de novo. Voltei pro quarto pensando no que fazer pra aliviar o tédio bucólico que me deixava com mais e mais vontade de voltar pra casa.

3 de janeiro de 2009

Monochrome

Não importa o que fizesse, nada seria diferente. Foi exatamente o que pensou antes de girar a chave na porta mais uma vez para sair. Era a quarta consecutiva vez na semana que sairia de casa. Das outras vezes, apesar dos destinos serem diferentes, parecia que tudo se repetia: trancava a porta, descia pelas escadas, pedia para que o porteiro abrisse a porta, caminhava para onde quisesse sem medo dos carros e motos e pessoas desgovernados no caos paulista pois as ruas estavam vazias, sem carros, motos ou pessoas. A falta de tudo isso somada a dias incrivelmente nublados davam a ela a sensação de que tudo era do mesmo tom de cinza ou de laranja ao final do dia que a fazia sentir-se só apesar de uma ou outra companhia. Depois voltaria para casa, pediria novamente para o porteiro que abrisse a porta, pegaria dessa vez o elevador, pois estaria cansada. Tudo se repetia. E se repetirá durante o dia de amanhã e o de depois de amanhã e do seguinte deste. Presa num ciclo que não leva a nada e que só a deixa mais e mais cansada.

Nunca Yann Tiersen foi tão perfeito pra descrever uma fase de sua vida.

*

Obs: Não, a Reforma Ortográfica não colou e nem vai colar enquanto não sair aquele novo Vocabulário da Língua Portuguesa que JÁ DEVIA ESTAR PRONTO ANTES DA REFORMA PASSAR A VALER, OK, ABL?

Mel, respira, respira...

23 de dezembro de 2008

"Já é hora de pôr recordações para fora."

Primeiramente, alguns motivos pra você fechar essa janela:
  • Vai ser meloso;
  • Vai ser nostálgico;
  • Eu não vou citar o seu nome;
  • Eu vou falar do Etapa;
  • Eu vou falar um monte de bobagem pra no final não dizer nada.
Se você ainda está lendo isso, parabéns, você provavelmente não fará cara feia pelo que está por vir.


Eu sobrevivi ao terceiro ano. Não só falando do ponto de vista acadêmico, mas também do ponto de vista emocional. Físico nem tanto, afinal o ano de 2008 veio carregado de insônia, ansiedade, nervosismo e tudo isso só consegue ser acalmado com aquele chocolate da hora do simulado ou almoços inexistentes por conta dos mesmos. Deixemos isso de lado.

Problemas de saúde, encrencas com o lado esquerdo do peito, grandes erros, frustrações, surpresas, vestibulares, fossas. Eu tive muitos motivos pra surtar e, de fato, surtei. E olhando pra trás eu vejo que muitas pessoas me salvaram, e o fizeram.
Muitas vezes eu coloquei as mãos nos olhos e pensei que não fosse dar, mas deu, e graças a elas.

Foram gastos com isso muitos vinte e cinco minutos de intervalo na rampinha, ou na sala da Mari, ou no J com o Coral, ou por MSN, ou no Centro Cultural, ou no Frans, ou tomando sorvete, ou depois do almoço, ou na escada da Gazeta, ou às quintas-feiras na sala 65 com o Clube de Cinema. Por coincidência ou não, todos esses lugares também foram marcados por conversas fodas, aleatórias até, que marcaram esse turbulento 2008. Desequilíbrio emocional? Yeah!

Enfim, amanhã é noite de Natal. Pra mim, como boa judia que sou, mais uma noite de troca de presentes e lembranças. Esse é meu pequeno presente de Natal pra todos aqueles que me ajudaram a sobreviver a 2008, um singelo agradecimento. Essas pessoas sabem quem são e não vai ser muita presunção sua vestir a carapuça (se você chegou até aqui com certeza acompanhou muitas das batalhas épicas e fez parte de tudo isso).

Amigos, família, professores, mais uma vez obrigada por tudo!

Boas festas pra todo mundo!

PS: O título? Móveis Coloniais de Acaju!!! :D
PS 2: Nostalgia mode iniciado no Repostagens hoje cedo off!
PS 3: Olha sóóóóóóó!

1 de dezembro de 2008

Sobre acordar cedo.

Abrir os olhos, levantar com a sensação de estar atrasada, olhar o despertador com desprezo antes de jogá-lo contra o pé da cama. Tatear em torno procurando os óculos, colocar o relógio e só então sair da cama. Triste rotina de quando meu pai não me leva pra escola.
Foi dessa parte que eu lembrei quando ele disse ontem: "Arrume carona pra amanhã ou vai a pé". Mas agora, numa conversa por MSN, percebi que depois de tanto tempo eu tinha esquecido de como eu até que gosto de ir a pé pra escola apesar das ladeiras intermináveis. Tinha esquecido do ar geladinho pra respirar, da sensação nem de frio nem de calor, de andar com cuidado pra não escorregar nas plantinhas entre os paralelepípedos da rua. Tudo isso com as mãos no bolso do casaco e olhando o meu tênis desamarrado.
Não sei se tudo isso foi porque eu sabia que não seria arrastada pela multidão que vai do metrô até o Etapa ou porque acordei sabendo que não ia assistir às aulas de gramática, química e matemática ou porque os problemas podem estar realmente dando uma trégua, mas sei que se eu tiver que fazer isso de novo pra não acordar às 5:50 da manhã eu vou procurar não lembrar só do primeiro parágrafo desse devaneio.

22 de novembro de 2008

Pra não dizer que não falei da Fuvest.

Obs. 1: Isto é um desabafo.
Obs. 2: Da série "Vou ter vontade de jogar isso no lixo amanhã"


Estava eu num café com o Cotô e o Boina conversando (pra variar) sobre as 90 questões que responderemos amanhã. Então entre lamentos de um e alfinetadas do outro eu comecei a pensar sobre qual é o nosso verdadeiro medo em relação a essas questões e lembrei da conversa que eu tive com o Dolly e o Nathan na casa da Paula uma vez. Naquele dia falávamos sobre o que aconteceria depois de passarmos na faculdade. Um na Sanfran, outro na Pinheiros, outro em Lorena, outra na Cásper e na Usp ao mesmo tempo.
Depois de lembrar desse acaso percebi que o meu maior medo da Fuvest está no que virá depois dela (e não estou falando do cursinho ou da faculdade). Querendo ou não, é um divisor de águas, as coisas não vão ser mais as mesmas depois desse domingo.
Então eu queria aproveitar esse surto durante minha tensão pré-Fuvest pra dizer que aconteça o que acontecer amanhã eu vou estar pensando em todos que me acompanharam esse tempo todo e que merecem ter o esforço recompensado.
Calma pra todos nós e que venha o churrasco!

Obs. 3: Eu não precisei esperar até amanhã pra ver que esse blá blá blá tá meloso demais. Mesmo assim, não deletei. Quem quiser lê xD

7 de novembro de 2008

Última carta à lua

Foram raras as vezes que pude te observar com mais carinho daqui. O brilho refletindo em volta acompanhado do frio que faz de madrugada já me fez escrever tantas como essa. Daqui pra frente, não nos veremos mais. Não por causa das pesadas nuvens que correm pelo céu de São Paulo, mas pelo pesado concreto que vai abrigar outros amantes teus. Ou não.
Apesar disso, sabe que vai continuar sendo uma das musas inspiradoras de tantos outros patéticos românticos como eu. Muitas canções, poesias e cartas ainda serão destinadas a você, mesmo se nunca mais nos vermos da minha pequena janela aqui embaixo.

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Tentativa (frustrada) de brincar com o fato de um prédio que está sendo contruído aqui perto estar começando a tampar a minha visão da Lua. Enfim, só um devaneio.