Não foi assim que ela imaginou o dia mais feliz da sua vida. De vestido simples, barato e alugado, a pequena cerimônia foi esperada sem anseios pela jovem. Caminhou para o altar de madeira e sem adornos de flores pisando no chão de terra batida sem tapete vermelho. As paredes não eram brancas: castanho pau-a-pique. O padre não falava latim, o noivo não tinha alianças. As lágrimas dos olhos da moça inundavam a seca tristeza do sertão.
30 de setembro de 2008
26 de setembro de 2008
Camuflagem
- O reflexo da luz do computador coloria o rosto dele de uma maneira engraçada que prendia sua atenção mais que o reflexo do sol poente nas janelas da redação. Na verdade, tudo relacionado a ele era capaz de desligá-la do fardo de escrever sempre sobre a mesma coisa. Sua seriedade, o olhar terno e a incrível capacidade de fazê-la sentir como uma adolescente apaixonada - ela pensava enquanto aos poucos voltava a ouvir uma outra voz...
- É pra ontem a matéria do equinócio!!!
- Ah, claro, sim senhor...
E voltou a digitar.
(Fruto de duas aulas chatas.)
- É pra ontem a matéria do equinócio!!!
- Ah, claro, sim senhor...
E voltou a digitar.
(Fruto de duas aulas chatas.)
21 de setembro de 2008
Amor Passageiro
Bruno Capelas/Mel Sternberg
Todo dia de manhã
Eu escolho o meu lugar
E espero o momento
De ver você passar
Sem sequer me perceber
Com seu tênis preto All Star
Mas se um dia eu quiser
Eu nem sei como lhe chamar
E é melhor que seja dessa maneira
Assim eu não corro o risco de dar bobeira
Prefiro sonhar contigo do que acordar
E então nem te ver mais passar
Passam-se algumas horas
E em novo caminhar
Acabo me perdendo outra vez
Querendo te encontrar
E você fica com essa cara
Numa estranha troca de olhar
E eu sumo novamente
Pra você não me achar
Até no metrô
Com sua amiga a conversar
Eu não resisto à tentação
De te contemplar
Você fica com essa cara
E eu decido me afastar
Desço na próxima estação
Pra você não me encontrar
E é melhor que seja dessa maneira
Assim eu não corro o risco de dar bobeira
Prefiro sonhar contigo do que acordar
E então nem te ver mais passar
Passam-se algumas horas
E em novo caminhar
Acabo me perdendo outra vez
Querendo te encontrar
E você fica com essa cara
Numa estranha troca de olhar
E eu sumo novamente
Pra você não me achar
Você fica com essa cara
E eu decido me afastar
Desço na próxima estação
Pra você não me encontrar
Todo dia de manhã
Eu escolho o meu lugar
E espero o momento
De ver você passar
Sem sequer me perceber
Com seu tênis preto All Star
Mas se um dia eu quiser
Eu nem sei como lhe chamar
E é melhor que seja dessa maneira
Assim eu não corro o risco de dar bobeira
Prefiro sonhar contigo do que acordar
E então nem te ver mais passar
Passam-se algumas horas
E em novo caminhar
Acabo me perdendo outra vez
Querendo te encontrar
E você fica com essa cara
Numa estranha troca de olhar
E eu sumo novamente
Pra você não me achar
Até no metrô
Com sua amiga a conversar
Eu não resisto à tentação
De te contemplar
Você fica com essa cara
E eu decido me afastar
Desço na próxima estação
Pra você não me encontrar
E é melhor que seja dessa maneira
Assim eu não corro o risco de dar bobeira
Prefiro sonhar contigo do que acordar
E então nem te ver mais passar
Passam-se algumas horas
E em novo caminhar
Acabo me perdendo outra vez
Querendo te encontrar
E você fica com essa cara
Numa estranha troca de olhar
E eu sumo novamente
Pra você não me achar
Você fica com essa cara
E eu decido me afastar
Desço na próxima estação
Pra você não me encontrar
8 de setembro de 2008
Inútil.
É assim que eu estou me sentindo exatamente agora.
Estar escrevendo essa porcaria que provavelmente eu vou deletar amanhã enquanto eu penso em alguma coisa pra ir falar com você é, de fato, inútil.
Inútil porque você nunca vai ler isso. Se ler, vai achar que não é com você. Também inútil porque mesmo que eu fale com você eu sinto que você está com a cabeça em outro lugar, em outra garota, em outra música, em outra vibe.
Também é inútil eu esperar que você venha falar comigo. Das poucas vezes que isso aconteceu, durou tão pouco. Alguns minutos foram tão inúteis quanto eu e não me deixaram ao menos olhar pros seus olhos.
Inútil é também esse meu medo desgraçado de te procurar, de te abraçar com mais força, de chamar você pra conversar mesmo quando você tá cercado pelos seus amigos. Medo que me faz passar mais rápido por você, olhando pro chão, fingindo estar com pressa só pra ver se você diz um "Espera!".
Mas chega de inutilidades por hora.. Vou voltar a escutar as canções de amor não-correspondido da minha coleção enquanto fico olhando pra tela de contatos do msn te esperando.
Estar escrevendo essa porcaria que provavelmente eu vou deletar amanhã enquanto eu penso em alguma coisa pra ir falar com você é, de fato, inútil.
Inútil porque você nunca vai ler isso. Se ler, vai achar que não é com você. Também inútil porque mesmo que eu fale com você eu sinto que você está com a cabeça em outro lugar, em outra garota, em outra música, em outra vibe.
Também é inútil eu esperar que você venha falar comigo. Das poucas vezes que isso aconteceu, durou tão pouco. Alguns minutos foram tão inúteis quanto eu e não me deixaram ao menos olhar pros seus olhos.
Inútil é também esse meu medo desgraçado de te procurar, de te abraçar com mais força, de chamar você pra conversar mesmo quando você tá cercado pelos seus amigos. Medo que me faz passar mais rápido por você, olhando pro chão, fingindo estar com pressa só pra ver se você diz um "Espera!".
Mas chega de inutilidades por hora.. Vou voltar a escutar as canções de amor não-correspondido da minha coleção enquanto fico olhando pra tela de contatos do msn te esperando.
30 de agosto de 2008
11 de agosto de 2008
Ela voltou...
Na verdade, ela sempre está por aqui, mas foram poucas as vezes que realmente se mostrou de cara: fria e verdadeira, cruelmente pura e fatalmente real.
Ela própria não é de todo ruim. É estranho pensar, mas ela é natural, está dentro de nós, nos faz o que somos a cada dia e por estar tão perto e tão longe traz os meios e os fins para sofrer.
A primeira vez que ela apareceu não fez com que eu sentisse tanto, eu era muito pequena quando a idéia de perda veio através de alguém mais distante. Já na segunda vez, as cicatrizes deixadas por ela abriram mais tarde e violentamente, porque chegou aos 45 do segundo tempo.
Depois (não lembro se veio antes ou depois da próxima visita), deixou uma saudade estranha, marcada pelos poucos momentos de uma convivência harmoniosamente terna, revivida a cada pequena coisa que possa ser relacionada com ela.
O último episódio, e o mais marcante até agora, não terminou na segunda viagem fantástica que falei, mas só a possibilidade disso ocorrer fez aflorar um dos sentimentos mais profundos que já senti.
E agora ela paira no ar, leve como o desespero e a sensação de impotência diante da sua onipresença disfarçada. Sem saber o que fazer, acho que só me resta esperar pela sua próxima aparição.
Na verdade, ela sempre está por aqui, mas foram poucas as vezes que realmente se mostrou de cara: fria e verdadeira, cruelmente pura e fatalmente real.
Ela própria não é de todo ruim. É estranho pensar, mas ela é natural, está dentro de nós, nos faz o que somos a cada dia e por estar tão perto e tão longe traz os meios e os fins para sofrer.
A primeira vez que ela apareceu não fez com que eu sentisse tanto, eu era muito pequena quando a idéia de perda veio através de alguém mais distante. Já na segunda vez, as cicatrizes deixadas por ela abriram mais tarde e violentamente, porque chegou aos 45 do segundo tempo.
Depois (não lembro se veio antes ou depois da próxima visita), deixou uma saudade estranha, marcada pelos poucos momentos de uma convivência harmoniosamente terna, revivida a cada pequena coisa que possa ser relacionada com ela.
O último episódio, e o mais marcante até agora, não terminou na segunda viagem fantástica que falei, mas só a possibilidade disso ocorrer fez aflorar um dos sentimentos mais profundos que já senti.
E agora ela paira no ar, leve como o desespero e a sensação de impotência diante da sua onipresença disfarçada. Sem saber o que fazer, acho que só me resta esperar pela sua próxima aparição.
2 de agosto de 2008
A gosto? Não! Chega!
Chegou seco.
Chegou rápido.
Chegou com surto.
Chegou com cansaço.
Chegou com surpresas.
Chegou com manual.
Chegou com susto.
Chegou pesado.
Chegou tudo.
Tentativa [frustrada] de brincar de concretismo.
Chegou rápido.
Chegou com surto.
Chegou com cansaço.
Chegou com surpresas.
Chegou com manual.
Chegou com susto.
Chegou pesado.
Chegou tudo.
Tentativa [frustrada] de brincar de concretismo.
28 de julho de 2008
Texto encontrado na arrumação do quarto - II
Há 10 anos, direto do túnel do tempo.
*
1,2,3 quero aprender inglês
Mão fria, Geografia
Gosto de pinturas com tintas escuras
Jornal pra depois,
Feijão com arroz
(1998)
*
1,2,3 quero aprender inglês
Mão fria, Geografia
Gosto de pinturas com tintas escuras
Jornal pra depois,
Feijão com arroz
(1998)
19 de julho de 2008
Texto encontrado na arrumação do quarto - I
Ela nunca pensou que pudesse ser tão difícil. Depois de ter conquistado um sonho, tudo parecia fácil, menos despedir-se daqueles olhos claros que a fitaram quando ela entrara no salão. Após muita dança, comemoração e riso, finalmente estavam a sós. Uma simpels e tímida conversa resultara em nostalgia e risadas. Uma imensa saudade terminou num abraço forte e acolhedor. Ele percebeu que ela chorava e a consolou com carinhos nos lisos cabelos que caiam sobre seus ombros. Ela podia ouvir o coração dele, pulsando forte como o dela. Os olhares novamente se cruzaram. ela se perdia num sorriso discreto, ele naqueles brilhantes olhos verdes. Um único e terno beijo marcou aquele momento que parecera durar horas, encerradas por mais um abraço envolvente e por mais lágrimas.
9 de julho de 2008
Só
Cansei de ouvir pessoas, música, reclamações. Acho que vou ficar só ouvindo o vazio do apartamento, do meu copo, da rua lá fora. Curtir minha própria solidão antes do sono me derrubar, me sentir tão invisível quanto numa multidão atravessando a rua na Paulista, fazer com que lágrimas venham a tona sem porquê. Há quem troque isso por uns copos de cerveja, desesperadas xícaras de café, frustrantes comprimidos de calmante. Tudo pra fugir de algo que eu prefiro deixar correr enquanto não tenho uma outra solução.
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